Stand With Crypto apoia 32 candidatos à Câmara dos EUA nas midterms de 2026

Resumo de mercado por IA
O endosso da Stand With Crypto a 32 deputados federais incumbentes pró-Clarity Act destaca os crescentes esforços de mobilização de eleitores por trás da legislação de estrutura de mercado cripto nos EUA, mas o projeto permanece travado no Senado antes de uma votação de cloture em 15 de setembro que exige 60 votos. Uma disputa ética não resolvida ligada à renda cripto de Trump está restringindo o apoio bipartidário, mantendo incerta a clareza regulatória no curto prazo e sustentando prêmios de risco impulsionados por políticas em todo o conjunto de ativos digitais.
Nível de impacto
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O grupo de lobby "Stand With Crypto" anunciou apoio a 32 candidatos à Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato de 2026. Todos os incumbentes endossados já haviam votado a favor do Digital Asset Market Clarity Act, projeto aprovado na Câmara em julho de 2025 e que desde então permanece travado no Senado. Criada para defender legislação favorável ao setor, a Stand With Crypto avalia parlamentares com base em posições sobre ativos digitais, publica recomendações eleitorais e mobiliza sua base cadastrada antes das eleições. Diferentemente dos super PACs ligados à indústria, a entidade não tem como foco grandes gastos diretos com publicidade de campanha. A organização foi lançada pela Coinbase em 2023 e segue sendo financiada pela empresa. O grupo afirma reunir mais de 3 milhões de "advocates" registrados em todo o país. Na lista atual aparecem republicanos como Warren Davidson, Tom Emmer, Bill Huizenga, Juan Ciscomani e Brian Fitzpatrick. Entre os democratas, constam Ritchie Torres e Josh Gottheimer. O que os 32 endossados têm em comum A entidade destaca que, neste ciclo, o critério principal é o histórico de voto, e não a filiação partidária. Os 32 incumbentes endossados apoiaram o Clarity Act na Câmara. O texto busca estabelecer o primeiro arcabouço regulatório federal abrangente para os mercados de criptoativos nos EUA. A Câmara aprovou a proposta em julho de 2025 por 294 votos a 134, com apoio de 78 democratas. No Senado, o projeto não avançou: para iniciar o debate, é necessário atingir 60 votos. Para o setor, a aprovação do projeto é tratada como a prioridade legislativa do atual mandato. Em março de 2026, a Stand With Crypto endossou pela primeira vez seis parlamentares, entre eles Zach Nunn (RIowa), Susie Lee (DNevada) e Mike Lawler (RNew York). Também entraram na lista Don Davis (DNorth Carolina), Greg Landsman (DOhio) e Rob Bresnahan (RPennsylvania). Na mesma época, o grupo lançou o "Voter Hub", plataforma que torna públicas suas notas para autoridades eleitas com base nas posições sobre cripto. O diretor executivo Mason Lynaugh define as midterms como um ponto de virada para a política de cripto em Washington. Segundo ele, candidatos dos dois partidos tentam alcançar eleitores fora de suas bases tradicionais, e ignorar o eleitorado ligado a cripto pode ter custo alto. Para a organização, a disputa também funciona como teste de sua capacidade de mobilização. Disputa ética sobre negócios cripto de Trump trava o avanço no Senado No Senado, o dia 15 de setembro é decisivo para saber se o Clarity Act chegará ao debate. Está prevista uma votação processual de cloture, que exige 60 votos. Essa maioria, porém, não está assegurada por causa do impasse sobre a renda pessoal de Trump com cripto. Os dois lados negociam há semanas uma cláusula de ética, sem acordo. Em julho de 2026, o presidente aceitou uma primeira versão que proíbe autoridades e seus cônjuges de emitir ou promover ativos digitais. A restrição mira ocupantes de cargo público em geral, não apenas o presidente. Democratas criticam que a fiscalização ficaria exclusivamente a cargo do Departamento de Justiça. O democrata Ruben Gallego e o republicano Thom Tillis defendem ampliar a aplicação para procuradores-gerais estaduais, mas a Casa Branca ainda não concordou com a proposta bipartidária. Sem votos democratas, o texto não alcança o patamar de 60 votos. Do lado democrata, a senadora Kirsten Gillibrand conduz as negociações e é considerada voto relevante para a conta dos 60. Ela avalia que a cláusula atual é inaplicável e cita dados de opinião pública. Em pesquisa Reuters/Ipsos realizada em meados de agosto, 63% dos 1.166 adultos entrevistados disseram considerar inadequados os lucros de Trump com cripto. "Podemos aprovar regras inteligentes e claras para ativos digitais e, ao mesmo tempo, impedir que o presidente enriqueça. É preciso uma proibição aplicável, e qualquer projeto de estrutura de mercado que deixe a fiscalização apenas com o Departamento de Justiça do presidente e permita que ele lucre com cripto não é reforma. É um passe livre." — Kirsten Gillibrand, senadora dos EUA (DNew York) Como os super PACs de cripto já influenciaram uma eleição ao Senado O peso financeiro da indústria já se fez sentir em 2024, quando super PACs ajudaram a moldar uma corrida ao Senado. Nos EUA, esses comitês podem fazer campanha a favor ou contra candidatos sem limite de gastos, desde que não coordenem com as campanhas. O comitê cripto Fairshake anunciou inicialmente apoio de USD 12 milhões ao republicano Bernie Moreno em Ohio. Ao fim, cerca de USD 40 milhões entraram na disputa por meio do Fairshake e de comitês aliados. Moreno derrotou o incumbente Sherrod Brown, crítico do setor e então presidente do Comitê Bancário do Senado. O episódio passou a ser citado como evidência da força política do segmento. Ohio volta ao centro em 2026. Brown tenta retornar ao Senado e enfrenta o republicano Jon Husted em novembro. Desta vez, outro grupo lidera o impulso financeiro: o Sentinel Action Fund e a organização associada Right Vote prometeram USD 8 milhões em apoio a Husted em abril. Para um estágio relativamente inicial do ciclo eleitoral, trata-se de um valor elevado concentrado em uma única disputa. No total, a indústria cripto já direcionou cerca de USD 200 milhões às midterms. Só o Fairshake tinha aproximadamente USD 141 milhões em caixa em julho. Diante desses montantes, o endosso a 32 candidatos parece modesto, mas mira outro ativo: eleitores organizados em distritos específicos. As duas frentes podem operar no mesmo ciclo. Por que a Stand With Crypto ainda não recomendou nomes ao Senado Por enquanto, o grupo não publica recomendações para o Senado; elas devem vir mais perto do dia da eleição em novembro. A decisão contrasta com o fato de o projeto estar justamente parado na câmara alta. Outro motivo é prático: os senadores ainda não votaram o Clarity Act. Na Câmara, há um registro claro de voto, o que se alinha à estratégia da entidade de premiar incumbentes com histórico documentado. O texto está no Senado há mais de um ano. Entre os pontos de divergência estão rendimentos de stablecoins e preocupações com financiamento de atividades ilegais. Desde o verão, o conflito sobre a cláusula de ética passou a dominar as conversas. Ainda não está claro se a Casa Branca aceitará a proposta de Gallego e Tillis. Assim, 15 de setembro vira um teste para os dois lados: se a cloture fracassar, o projeto não chega ao plenário. No fim, a composição do próximo Congresso será definida pelos eleitores em novembro.