SlowMist detalha hack de US$ 320 milhões na Liquid Network causado por colisão de chave de cache
Resumo de mercado por IA
A SlowMist detalhou uma exploração de US$ 320M na Liquid Network em que uma colisão de chave de cache na verificação de rangeproof do Elements permitiu a cunhagem de ~3.998,5 LBTC sem lastro e peg-outs rápidos para BTC real, drenando ~95% das reservas da federação. Embora as chaves não tenham sido comprometidas e um patch (v23.3.4) mais a suspensão de peg tenham limitado perdas adicionais, o incidente ressalta o risco de implementação semelhante a contratos inteligentes em sistemas adjacentes ao Bitcoin e pode pesar sobre a confiança em sidechains e infraestrutura relacionada.
Nível de impacto
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Uma falha pontual no código Elements, da Blockstream, permitiu que um invasor "criasse" quase 4.000 LBTC sem lastro, fizesse o peg-out para Bitcoin de verdade e drenasse cerca de 95% das reservas da Liquid Federation em poucas horas. A SlowMist publicou em 11 de setembro sua análise completa do ataque ocorrido em 6 de setembro, classificando o episódio como o maior incidente de segurança divulgado publicamente neste ano envolvendo uma sidechain do Bitcoin.
O prejuízo estimado foi de 3.998,5 LBTC cunhados e resgatados, com valor aproximado de US$ 320 milhões. A carteira de reservas da Liquid Federation caiu de mais de 4.200 BTC para cerca de 197 BTC.
O atalho de cache que virou um rombo de US$ 320 milhões
Segundo a SlowMist, a causa raiz foi uma vulnerabilidade de colisão de chave de cache dentro do processo de verificação de rangeproof. Range proofs são checagens criptográficas que confirmam que os valores das transações estão dentro de limites válidos sem revelar os montantes exatos, base do modelo de transações confidenciais da Liquid.
Para acelerar a validação, o Elements armazenava em cache proofs já verificados para evitar novas verificações. O problema estava na forma de construção das chaves desse cache. Antes da versão v23.3.4, o software gerava as chaves sem prefixos de comprimento. Com isso, duas entradas diferentes podiam gerar chaves idênticas, levando o sistema a tratar um proof inválido como se já tivesse sido validado quando sua chave colidia com a de um proof legítimo.
O atacante explorou essa colisão para burlar a verificação e cunhar LBTC sem o Bitcoin correspondente na carteira de peg da federação. Em seguida, esses tokens foram rapidamente convertidos via peg-out em BTC real na rede principal do Bitcoin antes que houvesse tempo de reação.
Depois do ataque: interrupção, correção e negociação onchain
A Blockstream agiu após identificar o exploit. As operações de peg foram suspensas para interromper novas saídas. A produção de blocos da rede também foi pausada e só voltou em 10 de setembro, após a implantação do Elements v23.3.4, com a gestão de chaves de cache corrigida e inclusão dos prefixos de comprimento.
A Blockstream afirmou que o incidente decorreu de um bug de software, sem comprometimento das chaves de assinatura da federação.
O atacante se comunicou por mensagens Bitcoin OP_RETURN, que permitem embutir pequenos textos em transações. As mensagens diziam que se tratava de um pesquisador whitehat e traziam a exigência de uma recompensa de 10%.
Após a correção, cerca de 3.400 BTC foram devolvidos à carteira de peg da federação. O atacante manteve aproximadamente 598,5 BTC, aparentemente como taxa de descoberta autoatribuída. Esse valor equivale a cerca de 15% do total, acima dos 10% solicitados inicialmente.
O que o caso sinaliza para sidechains federadas
A falha não esteve na governança da federação nem na custódia das chaves. Ela surgiu em uma otimização de desempenho. Manter em cache proofs já verificados é uma prática razoável; a implementação, porém, continha um detalhe capaz de transformar ganho de velocidade em vetor de ataque de US$ 320 milhões.
A rede ficou fora do ar por quatro dias. Quase 95% das reservas desapareceram antes de alguém perceber. A recuperação, em parte, dependeu da disposição do atacante em devolver os fundos.
A SlowMist destaca especificamente a ausência de prefixos de comprimento na construção das chaves de cache como o fator que viabilizou o ataque e recomenda que projetos que usem padrões semelhantes façam auditoria imediata.