RBI rebate críticas sobre custos do programa de depósitos FCNR(B) de US$ 136 bilhões
O banco central da Índia respondeu às críticas sobre o custo de seu megaprograma de captação de depósitos em moeda estrangeira com um recado direto: a conta fecha a favor do RBI. O presidente da instituição, Sanjay Malhotra, afirmou que o esquema Foreign Currency Non-Resident (Bank), conhecido como FCNR(B), gera receita líquida adicional para o banco central, contrariando alertas de analistas de que o programa poderia custar ao país US$ 10,6 bilhões em cinco anos apenas com despesas de hedge.
Captação muito acima do previsto
Lançado no início de junho de 2026, o FCNR(B) tinha estimativa interna de atrair entre US$ 35 bilhões e US$ 55 bilhões. Até agosto de 2026, as entradas superaram US$ 136 bilhões, com os bancos captando US$ 127 bilhões especificamente via depósitos FCNR(B). Antes do programa, as reservas cambiais do país giravam em torno de US$ 700 bilhões a US$ 730 bilhões. Na prática, o esquema adicionou cerca de 18% ao colchão de dólares da Índia em poucos meses.
A oferta foi direcionada à ampla diáspora indiana, com taxas competitivas de 6% a 7% em depósitos de longo prazo — quase o dobro do patamar próximo de 3,5% que prevalecia antes do lançamento. O RBI assumiu integralmente os custos de hedge para depósitos com vencimento de três a cinco anos realizados entre 8 de junho e 30 de setembro de 2026. A instituição encerrou o incentivo de hedge um mês antes, em 31 de agosto, sinalizando que as metas foram atingidas mais rápido do que o esperado.
O debate sobre o custo
Críticos apontavam um risco aparentemente óbvio: com US$ 136 bilhões de entradas, o custo de hedge poderia chegar a US$ 10,6 bilhões ao longo de cinco anos, segundo estimativas de analistas. Malhotra argumenta que os recursos não ficarão ociosos. O RBI pretende aplicar os dólares em títulos soberanos no exterior, que geram retorno. Para o presidente, a renda dessas aplicações em dívida pública estrangeira mais do que compensa a fatura do hedge.
Por que a Índia precisava disso agora
O FCNR(B) foi reativado num momento de pressão externa. A alta do petróleo ampliou o déficit em conta corrente, já que o país importa a maior parte do seu consumo de petróleo bruto. Saídas de capital também aumentaram a tensão sobre a rupia. Há precedente: em 2013, durante outra crise cambial, a Índia recorreu a um FCNR(B) semelhante, embora em escala menor. Na época, a captação foi de cerca de US$ 34 bilhões e o resultado foi amplamente visto como positivo. A versão de 2026 é quatro vezes maior.
Como administrar o fluxo
Uma entrada de US$ 136 bilhões traz efeitos colaterais. Com a chegada de dólares da diáspora aos bancos indianos, parte é convertida em rúpias, elevando a liquidez do sistema bancário doméstico. O banco central reconheceu esse canal e indicou que adotará medidas para enxugar o excesso de liquidez, incluindo operações de mercado aberto e ajustes nos recolhimentos compulsórios dos bancos.