Gravity Team lança mesa OTC com liquidação de fiat no mesmo dia para pagamentos com stablecoins
Resumo de mercado por IA
O lançamento, pela equipe da Gravity, de uma mesa OTC institucional voltada a liquidação de stablecoins em <60s e pagamentos em moeda fiduciária em T+0 em 20+ moedas destaca a aceleração da construção de trilhos cripto-para-fiat. A análise ressalta que a fricção nos pagamentos transfronteiriços está na conversão fora da cadeia, em interrupções bancárias e na liquidez local, e não na confiabilidade da transferência on-chain. A melhoria da liquidez dos corredores e a execução de principal podem sustentar um uso mais amplo de stablecoins, modestamente construtivo para a atividade do mercado cripto.
Nível de impacto
● Baixo
Ativos afetados
BTC/USDT+4.22%
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▲ Altista
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As stablecoins cruzam blockchains em segundos, mas transformá-las em moeda local utilizável segue como o principal gargalo dos pagamentos transfronteiriços. A avaliação é do CEO da Gravity Team, Mārtiņš Beņķītis, em entrevista à crypto.news, na ocasião do lançamento de uma mesa OTC institucional pela empresa.
Segundo Beņķītis, a infraestrutura de pagamentos com stablecoins é, no fim, uma questão de liquidez, porque os saldos cumprem papéis distintos. Formadores de mercado usam stablecoins para cotar preços, movimentar inventário entre corretoras e gerenciar risco. Já empresas de pagamento dependem desses ativos para financiar a conversão e liberar moeda local para o beneficiário. A disputa pelo mesmo estoque de tokens e pelo fiat necessário para concluir o crédito ao recebedor pressiona a liquidez.
A análise por "corredores" da Gravity Team aponta que o entrave está na etapa off-chain de conversão e liquidação: a transferência on-chain é apenas metade do pagamento. A segunda parte — converter a stablecoin em moeda que possa ser depositada em banco e efetivar o crédito — esbarra em diferenças de liquidez, horário bancário, controles de compliance e limites de contraparte em cada mercado.
Principais conclusões e destaques do lançamento:
- Confiabilidade on-chain elevada: a empresa afirma que transferências de stablecoins são liquidadas on-chain em mais de 99,9% dos casos após a transmissão.
- Em contraste, 3% a 7% das remessas bancárias tradicionais de entrada (wires) nos corredores do Sudeste Asiático e da América Latina atendidos pela Gravity Team sofrem atraso ou são devolvidas na primeira tentativa.
- Bancos correspondentes imobilizam capital: modelos com correspondentes podem deixar o equivalente a 20% a 40% do fluxo mensal de transações parado em contas pré-fundadas, segundo a companhia.
- Comparação de custos (pesquisa da empresa): a liquidação via stablecoin nos corredores estudados é estimada em 0,1% a 0,4% do principal. Já o banking via correspondentes — somando spreads de câmbio, taxas de intermediários e custo de capital das contas pré-fundadas — fica em torno de 3% a 11%. A Gravity Team ressalta que os valores variam por corredor, tamanho do pagamento e exigências de compliance.
- O teste comercial é o pagamento completo: rapidez para chegar com o token na carteira não basta. O provedor precisa entregar ao recebedor o valor em fiat cotado dentro do prazo prometido, inclusive quando rotas principais falham.
Para reduzir a distância entre liquidez cripto e liquidação em moeda local, a Gravity Team lançou em 24 de agosto uma mesa over-the-counter (OTC) institucional que atua como contraparte principal em negociações, dentro de limites acordados de tamanho, preço e volatilidade.
A mesa oferece:
- Liquidação de stablecoins em menos de 60 segundos (on-chain)
- Liquidação de fiat no mesmo dia (T+0) em mais de 20 moedas, quando o sistema bancário local permite
- Relacionamento bancário direto em mais de 20 mercados
- Execução por request-for-quote e linhas de crédito (sujeitas a termos)
Entre os corredores fiat atualmente suportados estão peso filipino, rupia indonésia, peso mexicano, real brasileiro, euro, libra esterlina e dólar americano, com planos de adicionar o dong vietnamita.
Beņķītis destacou ainda escolhas estruturais do setor: operadores com conexões bancárias diretas tendem a ter mais controle sobre funding, horários de corte e falhas de pagamento. Modelos baseados em parceiros ampliam alcance, mas ficam dependentes de liquidez, limites e práticas de processamento de terceiros. Esse equilíbrio vem tornando a conversão local e a etapa de pagamento ao destinatário "a área mais recente de competição" entre provedores.
Contexto e movimento da indústria
Grandes redes de pagamentos e cartões aceleram iniciativas para conectar trilhos cripto e fiat. A Stripe comprou a Bridge em fevereiro de 2025 para reforçar infraestrutura de stablecoins voltada a empresas. A Mastercard concluiu a aquisição da BVNK em agosto de 2025, com contraprestação total de até US$ 1,8 bilhão, buscando integrar trilhos fiat e stablecoin. Ainda assim, adicionar novas moedas implica lidar com condições operacionais desiguais e manter preços e liquidação consistentes entre mercados.
Pesquisas macro reforçam as preocupações operacionais. Uma nota do Federal Reserve de março de 2026 concluiu que cadeias de bancos correspondentes podem desacelerar, encarecer e reduzir a transparência de pagamentos transfronteiriços, em parte porque intermediários repetem checagens de compliance e tornam menos claro o status da transação.
A demanda por alternativas cresce junto com mercados emergentes. Dados da Chainalysis mostram que o volume cripto na região Ásia-Pacífico subiu 69%, para US$ 2,36 trilhões, nos 12 meses até junho de 2025, enquanto a América Latina avançou 63%.
Em síntese, stablecoins encurtam drasticamente a etapa digital de uma transferência internacional, mas o "último quilômetro" — funding local, conversão cambial, checagens regulatórias e um pipeline de pagamento que funcione — segue como desafio de liquidez e operação. A mesa OTC da Gravity Team busca combinar liquidez cripto com relacionamento bancário local para reduzir esse atrito, oferecendo liquidação on-chain rápida e crédito em fiat no mesmo dia em corredores selecionados.